Fiocruz
Fundação Oswaldo Cruz

Farmanguinhos/Fiocruz

Você esta em:  Home Notícias Ações contra Doença Renal Crônica

Ações contra Doença Renal Crônica

E-mail Imprimir PDF

O Dia Mundial do Rim é celebrado em 12 de março, ocasião em que é promovida uma espécie de avaliação anual e que se desdobra em uma série de ações para combater a Doença Renal Crônica (DRC). Para dar sequência a essas atividades, um grupo de pessoas trabalha durante todo o ano para divulgar os sintomas da doença e os tratamentos disponíveis. Com ações preventivas e educativas, a equipe atua em comunidades carentes do Rio de Janeiro, a fim de ajudar aqueles que não têm acesso a informações e serviços de saúde. Além dos testes de creatinina, que detectam a DRC, são oferecidos outros exames clínicos e laboratoriais, orientações jurídicas e sobre diversos serviços sociais.

 

Dayse Elias de Oliveira e o Drº Alan Castro – o nefrologista abraçou a causa após a palestra da farmacêutica em Farmanguinhos


Um dos participantes é Dayse Elias de Oliveira, farmacêutica de Farmanguinhos e autora de um trabalho detalhado sobre a doença no Brasil. Segundo ela, a doença é silenciosa, os sintomas podem aparecer numa fase mais avançada. Por isso, adverte, é importante mostrar à população a importância do exame de urina (perda de albumina) e de sangue (dosagem da creatinina). “Somente em 2012, foram atendidas 356 pessoas em três ações sociais: uma delas em Costa Barros e outras duas em Brás de Pina (ambos bairros do subúrbio carioca). Dessas, quatro foram diagnosticadas com a DRC e encaminhadas para um nefrologista no Hospital Geral de Bonsucesso”, disse Dayse.

 

Dayse explicou que os testes foram aplicados por profissionais do Instituto Vital Brazil (IVB), responsável pelo desenvolvimento da técnica usada para análise da creatinina. “Outras oito pessoas foram também diagnosticadas com DRC, mas estão aguardando segundo exame para comprovar o resultado e serem devidamente orientadas para tratamento médico”, assinalou.

 

 

Desafio para o SUS - A doença se tornou um desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 70% dos pacientes que começam a fazer hemodiálise não sabem que são renais crônicos. Para agravar a situação, os sintomas são observados quando os rins já perderam 50% de suas funções. Os números mostram que a falta de conhecimento das pessoas pode ocultar a real situação em que o Brasil se encontra, por isso a DRC é conhecida como um mal silencioso. Só para se ter uma ideia, em um único hospital, pelo menos três pessoas são diagnosticadas todos os dias com a patologia.

 

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença atinge cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo. O avanço de doenças crônicas, sobretudo do diabetes e da hipertensão, tem provocado um aumento no número de pacientes com problemas nos rins. Dados da SBN indicam que a quantidade de doentes renais no Brasil dobrou na última década. Estima-se que 10 milhões de brasileiros sofram de alguma disfunção renal. Atualmente, entre 90 mil e 100 mil pessoas são submetidas à diálise no país. A situação é tão grave que, em 2010, foram registrados mais de 16 mil óbitos por insuficiência renal, correspondendo a uma taxa de mortalidade anual de 17,9%.


Moradores das comunidades fazem exames para verificar as taxas de glicose e creatinina, esta última detecta a Doença Renal Crônica. Além disso, são oferecidos outros serviços sociais  

 

Mais atenção - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai traçar, pela primeira vez, o perfil da saúde no país. Anunciado no fim do ano passado, o estudo faz parte do enfrentamento das Doenças Crônicas Não- Transmissíveis (DCNT). Além disso, o Ministério da Saúde agregou a DRC na linha de cuidados da doença cardiovascular, que passa a ser chamada de renocardiovascular.

 

“A principal causa de mortalidade em pacientes com Doença Renal Crônica é por motivo cardiovascular, por isso é importante agregar a DRC aos cuidados da doença cardiovascular. Acredito que seja uma forma de reduzir essa mortalidade, pois o risco de um evento cardiovascular em um paciente renal crônico é muito maior comparando com a população em geral”, disse Dayse. Ela acrescentou que é necessário melhorar a assistência aos pacientes, inclusive o acesso a medicamentos.

 

Nesse sentido, Farmanguinhos vem colaborando com o Ministério da Saúde para enfrentamento da DRC. O Instituto produz o imunossupressor Tacrolimo, usado para evitar a rejeição de rim transplantado, e distribuído aos pacientes do SUS. Outra boa notícia é que, em parceria com a Bahiafarma e a Cristália, a unidade vai passar a fabricar o Sevelamer, medicamento usado para o tratamento da DRC.

 

Prevenção - As principais patologias que levam à DRC são Hipertensão e Diabetes, seguidas de outras, como as infecções urinárias. Assim, é fundamental controlar a pressão arterial e o nível de açúcar no sangue (glicemia). A dica é adotar hábitos mais saudáveis para prevenir essas doenças. Entre eles, beber bastante água, evitar sobrepeso e o consumo excessivo de sal e açúcar. Praticar exercícios físicos regularmente ajuda muito. Uma dieta balanceada pode evitar a obesidade, outro fator de risco.

 

Os dois rins trabalham em conjunto e têm a função não só da filtração das toxinas, mas também do equilíbrio de líquido e de sais minerais do organismo, além do desempenho de funções hormonais. Por causa dos rins, o corpo mantém a produção de glóbulos vermelhos, evitando a anemia. Também controlam a ativação da vitamina D, que é importante para a fixação do cálcio nos ossos.


Voluntários trabalham durante todo o ano para divulgar os sintomas da Doença Renal Crônica e os tratamentos disponíveis



Fotos: Arquivo pessoal


Última atualização ( Qui, 17 de Janeiro de 2013 15:29 )  

Busca no portal

  ?

Farmanguinhos na rede

Você esta em:Você esta em:  Home Notícias Ações contra Doença Renal Crônica